domingo, 6 de julho de 2014

Sobre aquele que um dia esteve e que não está

O peso de uma mudança
Descobrir o seu corpo coletivamente
Amadurecer com platéia
Expor suas descobertas ao vivo, na hora em que brotam
Jogar carne vermelha sangrando na madeira
deixar escorrer o sangue no procênio
contaminar a platéia
sacrificar suas horas
seus dias
anos...
Por que?
Ainda hoje acho que o teatro e minha vida se confundiram, não como um caminho profissional, desejo que meu calor jovem almejava, mas como num processo de descoberta em que um adolescente tem seus iguais como cúmplices. Sim, o palco foi meu cúmplice...
E como pontualmente acontece na minha vida, o rompimento me deixou sozinho... Cheio de registros emocionais, mas sem muitas imagens. Talvez, porque assim como os grandes rituais religiosos tem pontos em que não podem ser registrados em imagens, os meus grandes momentos de cumplicidade adolescente com o tablado também não poderiam ser compartilhados com a posteridade.

Hoje tenho pequenos filmes que entram em cartaz, como reprises de uma sessão da tarde, de quando em quando deixando aquele aperto saudosista no peito e a pergunta: E se fosse diferente? 

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