domingo, 15 de novembro de 2009

Virtuosidade virtual

A volúpia que nos atrai
O volume dos acessos
O acesso fácil ao mal
A conexão fatal que te leva de mim
Os braços eletrônicos que te recebem
fincam o mastro sexual em meu território
Demarca o espaço, assume o controle
BACKSPACE nos meus sentimentos
Crtl+Alt+Del na nossa relação
Tudo perdido!
Formatei meu coração
Eliminado o vírus intencionalmente
desconhecido e adquirido no acesso secreto
É hora de reinstalar
Procuro os Cd's da minha humanidade
e encontro um com o seu nome
Curioso verifico o seu conteúdo
e imediatamente se abre diante dos meus olhos
uma pasta com o seu nome escrito
Titubeio em fazer o downloud
Será seguro? Me pergunto
Passo um antivírus que dá a sua sentença:
"Nenhuma ameaça encontrada"
O click acontece e o coração
se enche de prazer e esperança
Ao toque das suas mãos
e ao contato do seu corpo
não resisto
me deixei tomar por seus encantos
Pelos encantos de um visionário virtual
Caí na rede
Estou conectado
e envolvido por seus braços.

Em algum lugar dentro de mim em algum dia carente de mim.

Opiniões Paralelas


Opiniões paralelas andam lado a lado
A estrada de barro leva à fazenda
e a via expressa ao urbanismo que me guarda.
Dentro da cidade as estradas querem se contrapor.
As opiniões querem se chocar.
E eu que nem semáforo sou,
quero me resguardar.

Dizer o que achei sem sofrer ou apedrejar.
O olhar que não vê só o que bóia, resiste pra não se afogar.
O olhar que faz a opinião seguir seu caminho
ainda tem que resistir pra não sofrer com as pedras
que irão lhe tacar.
A luz flúor ilumina outros caminhos.
Sou o autista de mim mesmo.

... Mas tudo bem!
Eu aceito a sua opinião.

pós "Kabul" do grupo AMOK

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sobre a felicidade


Felicidades transparentes não escondem as máscaras carnavalescas.
Um sorriso colado nos lábios, uma tristeza calada nos olhos.
A lágrima que escorre na pele marcada, hidrata os sentimentos mais profundos.
A luz da sala iluminada reflete o brilho de um mundo que não é seu.
Os ventos do sul levam embora as alegrias vividas no norte.
Lá sim, a vida era mais forte.
A raiz traz mais segurança que o topo da árvore.
A árvore que não permite me jogar pelos ares
e alçar vôos mais altos.
Ao contrário agora aterrizo e penso:
A embriaguez que me lançava num redemoinho de alegrias
me transmitia uma felicidade momentânea!
O alucinógeno social, o agitador de emoções,
o popularizador, o capturador de corações
foi embora... secou.
E hoje, diante da imagem limpa de neblina,
vejo o seu rosto triste e perfumado.
A máscara derretida no descontentamento,
o abandono compartilhado por mim.
Na ausência do carinho antes doado a ti
me reconheço e compartilho da tua dor.
Escolhemos a máscara do dia seguinte vestimos a pele
do personagem querido, para depois esquecer
a própria identidade.
Me olho e não me reconheço.
Minhas roupas são outras.

Metrô - voltando pra casa.

quinta-feira, 4 de junho de 2009


Onde estão as boas notícias?

Cadê o ventos de saúde e paz?

Quero descançar e curtir o amor.

Quero boas novas e uma vida sem temor

Onde estão os bons momentos?

Cadê a minha utopia?

Que volte pra cá

A minha alegria.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sinto a descoberta de um novo eu. Mudanças no físico, na alma, na cabeça...
Bethânia a palavra cantada que toca minha alma.
Fernanda Yong que fez surgir um humor que me agrada.
Fernanda Montenegro que acende o fogo da minha profissão.
Influências, influências... ai ai!
Meu cabelo cortei e ainda sim teimam em se jogar.
Contar roupas, contar dinheiros, contar causos.
Andar, comer, embarrigar, flacidar.
Trabalhos domésticos, lixar, pintar, furar, consertar.
namorar?
Ih! Bethânia voltou. Cadê a Adriana?
Uma chama acende, vontade de cena, desejo de palco
Quero aplausos, quero ser amado.
Bethânia. Ah! Bethânia!

domingo, 24 de maio de 2009


A humanidade está apodrecendo.
O bolor está tomando conta da pele, que já começa a esverdear. Algumas de reiva, outra por maldade e a maioria por puro medo. O cheiro é forte e contagia quem passa. As máscaras cirúrgicas já não são suficientes, os focinhos dos porcos se escondem por trás delas. A gripe não consegue comntaminar o corpo cheio de putridões. Nas veias correm chorume, o hálito cheira a azedo e a respiração elimina gás carbônico. Nós somos as grandes bactérias, somos os grandes vírus.... a dona da terra resiste fortemente, se faz de tôla, mostra-se por muitas vezes frágil, mas sempre que pode, sempre que se irrita, toma posse do que é seu. desastrtes acontecem, milhares morrem. Pronto! A antisepicia foi feita... A pele está protegida. A grande mãe se recupera do ferimento.
Irmãos anticorpos a postos! Vamos reagir a essa violência! Vamos nos juntar a grande mãe! Não podemos contra ela, então nos juntemos a ela. Vamos varrer essas massas podres de nossos olhares. Vamos estirpar da pele essa casaca grossa. Vamos prolongar um pouco mais nossa sobrevivência. Vamos lutar contra o mal que há em nós.

sábado, 23 de maio de 2009


A sensibilidade me leva a lugares que me surpreendem. Ouvir mais do que o normal, sentir o toque como se estivesse sem a camada fina de pele que me veste e cheirar... Sentir o cheiro do hoje, do agora e não desprezar o cheiro de mofo e de nafitalina carregado pelas minhas roupas velhas e cheias de recordações, de histórias, casos, acasos, sentimentos, amores, desafetos... O inanimado se enche de vida e dá cor ao que era cinza. Os olhos agora são duas grandes tv's de plasma e transmitem uma proramação variada. "É como se minha vida passasse diante dos meus olhos". E mais ainda, quem quiser saber um pouco mais de mim, basta olhá-los. A noite, bem a noitinha as telas são desligadas para um sono profundo, mas a programação continua na minha cabeça. Às vezes, uma reprise, outras dias são filmes fantasiosos. O ibope deles é medido pela manhã. Se a programação foi boa, a recordação se faz presente de imediato, porém essa mesma recordação traz à tona programações não tão agradadáveis, mais intensas. Mais na maior parte das vezes nem me lembro do offizinho. Então deixa essa noite pra lá!

Querem abalar a minha fé!

Mas me agarro, enfraqueço, mas me seguro nela.

Porque sem ela, não vai mais haver porquê.

Querem abalar minha fé!

Fé de que ainda é possível,

fé de que ainda há muito pela frente,

fé de ainda posso ser feliz,

fé de que isso tudo faz parte,

fé de que estou aqui inteiro e que ainda tenho muito o que viver,

fé de que a vida faz sentido,

fé de que a humanidade tem jeito,

fé de que não estou sozinho,

fé de que sou amado,

fé de que nem tudo é negro como café,

fé de que ainda posso ser criativo como a rima acima,

fé de que ainda posso ser criador,

fé de que ainda posso ser visto,

fé de que sou artista,

fé de que tenho muito a dizer,

fé de que posso me emocionar,

fé de que sou verdadeiro,

fé de que tenho princípios e não sou tão equivocado,

fé de que vai dar tudo certo,

fé de que a morte não vai ser dolorosa,

fé de que não farei ninguém sofrer,

fé... de que posso viver.

fé... de que ... ainda... posso ter FÉ.

sexta-feira, 22 de maio de 2009


O sangue entra escorre pelos meus olhos e invade a minha boca, uma inquietação sem fim toma conta de mim. Já não consigo imaginar, a dúvida quer descançar, mas o medo... Onde vai me levar?

Quero chorar... Não tenho lágrimas.

Todos os homens são iguais...

O que nos torna diferentes são as escolhas que fazemos

A geografia onde vivemos

As pessoas que nos criam

A educação que recebemos.

Todos os homens são iguais.

segunda-feira, 18 de maio de 2009


Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

domingo, 17 de maio de 2009


As desistências, as semelhanças, as aceitações... Sintomas de uma socialização.

A relação esfriou, as afinidades diminuíram e o que restou?

Não há diálogo.

O olhar não encara mais ninguém.

Emudeço...

I.N.T.R.O.S.P.E.C.Ç.Ã.O

Estou acostumando.

Ser sociável não anda me fazendo falta.

O universo conspira ao isolamento.

"Preciso é respirar... uma vez por semana...

Preciso de ar... Livra-me daqui."

Não sufoco, não me incomodo,

não sinto igual, não há crise.

Estou morno!

Sozinho, sem amigos, sem amor

Aqui encontro o conforto

na tela do computador

A escrita feita por mim e para mim.

sou o amigo de mim mesmo,

sou ouvido da minha boca,

sou o alívio dos meus dedos e

o descanço da minha alma.


"Vidro moído e areia no café da manhã

e um sorriso nos lábios."

quinta-feira, 14 de maio de 2009


Há um cansaço que me move...

O cansaço da alma, agora tb é físico...

Como odeio as obras: as das casas e as da alma.
Vou ser sugaaaaaaado por elas!!!!!


domingo, 10 de maio de 2009

só.


Sabe qdo voce acorda e tudo dá errado? Pois é! Agora imagine vc ter um fim de semana inteiro assim.

A verdade é algo tão paradoxal, tão pessoal...

Qual é a minha verdade? De verdade não sei. Achei que tivesse algo errado nas pessoas, de verdade pensei que elas estavam seguindo por caminhos que não acho bacana. Mas daí, qdo vc procura o seu par e ele reage da mesma forma a coisa muda de figura. O trem sai dos trilhos, a polpa foge da fruta.

E aí? cadê a razão? Cadê a convicção?

A realidade é muito cruel. Ela te deixa dar uns mergulhos, às vezes demorados, na ilusão! Aí vc sente uma falta louca de oxigênio e precisa não só respirar, mas tb se salvar. O problema é que de acordo com tempo que vc leva submerso, o retorno à realidade traz sequelas, que nem sempre podem ser reparadas. Dependendo da intensidade desse mergulho, os momentos de prazer, fazem a ilusão invadir o seu corpo. E aí, é tarde! Por mais que vc tente recuperar a razão, manter-se são, se enquandrar no sistema, vc não consegue. E a ilusão que antes dava prazer, agora se propaga por dentro como algo ruim, como uma bactéria terrível, como um vírus mortal e destruidor, que vai te matando aos poucos.

É triste notar isso sozinho. É muito ruim não ter com quem partilhar.

A ilusão me rejeita e a realidade não me aceita como sou. Fico aqui neste lugar de solidão, isolado de todos, vivendo de apararências. Violentando minha aparência e minha alma.

Cansado e sem sono perambulando no quarto, que sem grades se apresentou pela primeira vez como prisão, decepcionado por não ter os ouvidos, os olhos e o carinho que tinha a dias atrás. Sofro a dor da perda. A perda do amor que se esvai como um líquido passando pela peneira. O que vai restar será a surpresa a se revelar com o tempo. O amor tem seus mistérios! Os nossos pares são um mistério, nosso sentir é um mistério.

Desistir, nunca fez parte do meu vocabulário tão intensamente, abandonar e retornar, essa era a sequência lógica. Mas fugir de tudo é a novidade que está por vir. Não se enquandrar no todo, me esmaga, me faz ter um câncer enraizado por todo o corpo.

De repente o que era filosofia foi sugado pelas minhas narinas.

Queria continuar divagando.

A dúvida era mais legal.

L.E.G.A.L

sábado, 9 de maio de 2009

Eugenia


Que falta de paciência é essa que tomou conta de mim?
Não tolero as pessoas, os atos, a falta de respeito, a invasão de privacidade, os equívocos, as grosseirias... E o pior é que com isso eu estou me tornando assim também. É difícil remar contra a maré. É difícil resistir. Resistir aumenta a aflição!

Tá aí a minha bola de fogo que parece que vai explodir a qualquer momento! Ai! Não quero mais brincar!

Oração


Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda que palavra por palavra sou eu estou morrendo.
Me sufoca, me abafa... dor no peito!
A falta de sensibilidade, faz com que as palavras se escondam em minhas entranhas.
Quero falar, juro que quero! Mas não consigoe muitas das vezes não sei de verdade o que dizer.
O cão perdeu a voz e o faro já não é o mesmo. Quero gritar muito alto e sem para e depois chorar, um choro sem fim. Deixar todas as amarras de molho nas minhas lágrimas e voltar a ser o menino da escola de teatro. Olho no espelho e não me reconheço, envelheci dez anos em dez meses. Meus amores já não me deixam feliz. Estou sem norte, sem eixo. Me culpo pro tudo, me sinto um monstro, a péssima companhia, o anti social, o burro, o mala... Meus valores estão indo pelo ralo, meu brilho está no esgoto. Não consigo ver beleza nas coisas. Quero criar, ter idéias, enfrentar a vida e não consigo. Quero um facão para abrir o peito e tirar essa dor que se instalou. Quero o remédio, a solução, mas só eu tenho a fórmula e esqueci qual é. Não quero deixar as coisas perederem o sentido, preciso encontrar um significado, mesmo que não seja para o meu trabalho, mas pra minha vida.
Baco, se não sou teu, me expulsa dos teus domínios. Eros, se não sou teu, libera então aquele que amo dos meus braços. Deus, sei que sou teu, posso sentí-lo! Então, me guia, me tira ou me leva para a vida, mas não me deixe aqui no lugar onde estou, porque é ruim demais.
Já começo a fazer mal às pessoas, minha dor é imensa, o plexo escurece.
Me ajuda Deus, se é ao senhor que todos recorrem, me ajuda! Não posso contar com mais ninguém neste momento, porque só você cabe o que cabe em mim agora. Somos um e o todo... mas a tua parte que cabe em mim está morrendo! Me traz de volat, me ressuscita, devolve a luz. Minhas lâmpadas internas queimaram, conto apenas com um pequeno refletor de lata de tinta que trago na cabeça e ele já começa a piscar.
Meu amor, te amo! Minha arte, te amo! Aos novos amigos, os amo! E aos ficaram também.
Pessoas querem me ajudar como querubins, mas as pernas não me deixam caminhar.
Não quero que sintam pena de mim! Quero gritar, chorar, criar, amar e ser amado. Afasta esse medo de mim! Não quero mais pensar! Afasta esse medo sem fim!
Nunca achei possível, mas tenho sequelas da minha infãncia.
A minha criança existe, sim ela existe. Talvez esse seja o problema, ela estar aqui.
Minha criança é assim... Foi espancada, viu a mãe ser espancada, não tinha contato com as outras crianças ( a não ser as da escola), por isso, não tinha amigos. Durante um tempo conviveu com as duas irmãs maiores que não eram seus pares, depois perdeeu o pouco da atenção que tinha para a irmã mais nova. Nunca teve voz, vez e ou foi ouvido.
Meu Deus! Agora lembro que sentia as dore de um adulto. Que sofria e chorava as mágoas de um adulto. Mãe trabalhando, irmãs na escola, portão trancado, padastro me odiando, pai me comprando e eu sozinho. Eu e a televisão. Sexo, amor, conflitos...
Passei por tudo sozinho.
Meu deus! Agora lembro... A dor é a mesma! Meu deus! meu deus!
Porque? Me ajuda!

Méier, 12 de outubro de 2008. (para Ana Mirian Pichini)
(manhã de domingo)