segunda-feira, 19 de abril de 2010

Existem pessoas viciadas em muitas coisas por aí.
Cigarro, bebida, sexo e por aí vai...
Eu, que aparentemente sou livre de vícios, descobri uma coisa que não consigo abandonar.
Meu desejo pela a arte, minha obsessão pela criação... Bem que queria me livrar desse foco.
Queria mirar meu pensamento em outra direção. Mas não posso. Não consigo!
É mais forte do que eu. Sofro, passo períodos sofrendo. Abandono tudo, decido levar uma vida de conformismo, sem precisar me torturar com as impossibilidades impostas pela rotina, pelo trabalho, pela condição social, pela falta de tempo que torce o pescoço da minha criação.
Mas daí, um dia eu acordo e o meu sangue volta a circular com mais vontade, aquecendo o meu corpo e a minha alma. A cabeça vira um turbilhão de criações, de imagens, de desejos, cenas, imagens, cores, formas, sons, texturas. Me encorajo, retomo o vigor e direciono os pensamentos...
As coisas começam a acontecer misteriosamente. as coincidências voltam a me rondar e eu penso: Serão sinais meu Deus? Daí descubro que não sei reconhecer bem os sinais.
O que fazer? Continuo sem saber, mas vou adiante. Quero dominar o mundo!
Quero o mundo aos meus pés! A minha arte é enorme e queria poder dar as asas do conhecimento à ela, para que fosse aonde quisesse. Porém, as paredes das salas de aula parecem muralhas intransponíveis. A alternativa é criar a minha própria sala, buscar o meu próprio conhecimento e levantar eu mesmo as muralhas da minha fortaleza.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Engraçado como a vida lhe apresenta sinais. Essa semana aconteceu comigo. (Acho eu!)
Só que é tão difícil ler esses sinais!
Então, decidi assim... Vou seguindo o que meu coração mandar...
Vou deixá-lo solto para me guiar.
Ou até a razão me segurar, né?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Soberania por Manoel de Barros



Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.


Texto extraído do livro "Memórias Inventadas - A Terceira Infância"

domingo, 11 de abril de 2010


O mundo é uma grande Roda Gigante.
Nossas vidas giram como uma grande Roda Gigante.
E de mãos dadas oito palhaços com um coração Gigante,
nos convidam a dar as mãos à eles e formar uma Grande Roda, num mundo cheio de risos e canções bacanas cantadas muito bem por palhaços que rodam por aí, fazendo do nosso coração um Gigante caldeirão de emoções e carinho.

Após assistir o show "O Sentido da Vida" do Grupo Roda Gigante.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vamos lembrar do lixo, antes que sejamos obrigados a lembrar dele.

Então, nasce uma flor.
A primeira e última delas.
Anos envolto em pétalas,
enquanto todos cortavam os espinhos e espalhavam o polen.

Me dediquei de corpo e alma.
Mergulhei em apnéia.
E na falta de oxigênio, me arrisquei, me desnudei,
mostrei o pior de mim, arranquei minha pele e me deixei tocar
por um grupo de estranhos que me olhavam
do lado de fora do aquário auxíliados por poucos adestradores.
Passei por tudo isso e finalmente quando ganhei guelras,
vejo através do vidro blindado, os visitantes irem embora,
sem ao menos um adeus...

Poluiu-se o meu quadrado de vidro,
a água invadiu-me
e boiei buscando o oxigênio que me faltava.

terça-feira, 6 de abril de 2010


Acho que por sermos tão diferentes é que nos apaixonamos.
Um amor sem anúncio.
Um amor sem busca.
Eu sozinho, vivia bem.
Você sozinho também queria ficar.
E mesmo os nossos encontros "calientes" nas famosas festas
não eram capazes de anunciar essa união.
Mas o amor aconteceu, primeiro em mim, é verdade. Mas aconteceu!
Não sei como e nem quando nos apaixonamos e nos tornamos amantes.

Por você, enfrentei aquele que era o maior dos meus medos.
Assumi, literalmente, essa relação.
E posso até dizer que foi difícil, mas nem tanto como imaginei.
Hoje, acredito que devo isso a você, que se tornou parte de mim.
A parte mais forte e corajosa de mim.

E aí, o impensável acontece,
as famílias se unem, o amor se fortalece
e o amigo surge.

Não. Não somos o casal da propaganda.
Nadamos contra o provável.
Nos adaptamos um ao outro, na vida, no sexo, no amor.
E cedendo aqui e ali nos tornamos um casal,
que por espanto nosso mesmo, "não briga".
Resolve as questões da melhor forma possível.
Acredito eu, que o amor nos serve como escudo, espada e adorno.

Sim. Você é uma gangorra de emoções.
Totalmente o oposto do que sempre fui.
No parque de diversões da vida era fácil me encontrar
do lado oposto ao da montanha russa,
nas xícaras que giram e giram em torno de si e de tudo,
sem sair do lugar e sempre com a velocidade controlada por mim.
Mas confiei em você e me coloquei ao seu lado para sentir
o vento veloz da queda.
Os loopings me deixam confuso, mas ainda assim, me agarro à você.
Você que é parte de mim, que me envolve e me protege.
Porque parte de mim é forte e corajosa.
Porque parte de mim é todo amor.
O amor que nos é como escudo, espada e adorno.


O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono!...


Álvaro de Campos,
Heterónimo de Fernando Pessoa


segunda-feira, 5 de abril de 2010

O tempo passa e o risco é o mesmo!

domingo, 4 de abril de 2010

Eliomar nome destino
Nome do amigo, sei lá!
Se não parecesse tanto com meu umbigo,
diria que este amigo de outro nome eu iria chamar.
Eliomar desconhecido.
Pessoa educada, sensato e amigo.
que só minha mãe pôde um dia amar.
Eliomar pessoa de um passado antigo,
que eu mesmo corri o risco
de pai um dia chamar.
Quem sabe que destino, minha vida poderia tomar
se eu fosse filho desse tal Eliomar.


Espetáculo lindo!
Lindo o espetáculo que vi.
Músicas, figurinos, cenários, atores, luz...
Tudo era lindo enfim.
Tudo era lindo naquele espetáculo.
Tudo era um espetáculo naquela peça que vi.
Em cena tudo aquilo que desejei e muito daquilo que vivi.
Na platéia olhos atentos, risadas e afagos
do meu amor que também estava ali.

(Depois de ver "Era no tempo do rei")

Tenho cupins no peito
Tenho formigas nas mãos e nos pés
Tenho uma gaivota na cabeça
Sangue sugas no cú
Abelhas no pau
Lombrigas na barriga
Elefantes nas pernas
Cobras em torno do pescoço
Nos ombros carrego baleias
Macacos pulam de braço em braço
Uma gralha grita na boca
E as águias nos olhos buscam o alvo perfeito
Mas de verdade...
Tenho mesmo é um cão ao meu lado
Que me dá carinho, amor e afeto.

(Para Panda)

Sinto a sensação solitária de estar só,
sozinho, ensimesmado na minha redoma de vidro,
sentindo uma sensação de solidão no coletivo.
Sozinho sigo cego sutil neste sentimento vazio.
Na solitude sempre senil deste império do martírio,

Mas o que vira sobre a minha roupa é o suntuosoo rubro líquido sanguíneo.
O que sai pela minha boca,
pele,
mãos é um suor sem calor, mas frio.
Que veste minha idade,
sexo
e desejo num calafrio.

Tenho um inimigo que dorme em mim
Chega cedo e me tira o prazer
Chega na hora errada e não me deixa ler
É inconveniente, mas não era pra ser.

Este inimigo que mora em mim
Me suga e não quer ver o meu bem
Me joga na lona e não vejo ninguém.

E quando preciso que me queira bem
Vai embora e me deixa sozinho
pensando além.

Na hora desejosa do descanso
Prazer nenhum se obtém
Porque o sono maldoso e profundo
Me leva pro seu arem.


Silêncioooooooooo!!!!!

Me jogar numa montanha russa de emoções e sensações e incoerências perturbadores de mim mesmo com as inquietudes desse mundo coberto de instabilidades passageiras que me envolve e a ti também. Você que faz girar provocando encantamento e dor e náuseas e me encanta , me fascina, me hipnotiza. Não quero mais frequentar esse redemoinho mortal e quero me deixar embalar para cima e para baixo nesse redemoinho sentimental, que me deixa confuso e que é a minha salvação e a minha redenção e a minha crucificação. Veneno mortal, que me deixa dormente, fruta doce que me atrai, carne macia e boa de enfiar os dentes, raios, trovões e água gelada que me desperta e me resfria. Quero acordar desse sono profundo e cair na vida sem dormir jamais. Quero me encantar com esse sono profundo e não acordar jamais. Quero e desejo querer sempre mais e mais e não quero desejar mais nada, para não sofrer com os pregos da angústia enfiados nas minhas costas. não quero ser ambicioso para não ter que andar com os pés atolados em brasas até à minha panturrilha malhada pela imposição da beleza em carne viva. Viva e doce. Sangue doce e mortal do desejo antigo e amador de sonhos possíveis e não mais encarados com coragem. quero saber querer para adiante não querer mais o que quero agora. Não quero ser refém de um querer desencorajado pela geografia financeira e familiar. não quero desejar o bem por já querer estar nele. Quero e já não sei mais se quero.

PAREM!!!!!! Parem já esta montanha russa maluca que me vira do lado do avesso! Devolvam o meu dinheiro que já é escasso e o meu tempo que me foi roubado e enfiado num baú velho sem cultura familiar, sem educação e sem vontade... Me deixe voltar para os meus, me deixem tentar voltar às origens, quero vasculhar o chão e descobrir o fio puxado do meu destino. Tenho que retornar ao meu desejo, tenho que me envolver de desejo, tenho que desejar tudo de novo. Tudo aquilo que um dia desejei e que se perdeu por querer desejar o que não era meu. E o que é meu não é permitido porque eu que sou eu não me permito.