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Uma vontade de correr, gritar, bater, xingar, jogar tudo pro alto e... me jogar no abismo.
Porém, agora estou com os pés na ponta, na borda, na pedra fria.
O vento gelado lambe o meu rosto de baixo para cima como um cão afetuoso.
O suor denuncia que a corrente sanguínea está agitada.
O coração parece estar parado de tão acelerados batimentos.
A respiração profunda e lenta encoraja os olhos cheios de lágrimas
a se lançarem no meio de uma imensidão que de tão negra me deixa cego.
Os pés descalços, encharcados de suor e lágrimas, começam a escorregar.
Uma névoa pesada e grossa me empurra para o destino incerto e um hálito forte
e úmido me faz exitar e resistir.
Já falta o equilíbrio e as pernas tremem.
Não sei o que fazer!
Já me joguei de alturas menores, mas nunca assim, sem saber onde vou cair.
De acordo com a altura , podemos calcular o tamanho da queda,
mas se não podemos ver o fundo nem as paredes...
Sem ter onde me segurar, não posso dizer se sairei ileso.
É este o momento em que me encontro, é aqui que reside a minha angústia.
Não há como voltar atrás e tenho muito medo do que me aguarda lá na frente.
Pedras cobriram o caminho que me trouxe até aqui
e formam a beira deste enorme abismo, onde agora estou de pé, tentando me equilibrar.
É tarefa muito árdua se jogar ao léu, no ar, sem equipamento de segurança.
É difícil não ter alternativa, nem a coragem pra me ajudar.
Acabei de jogar uma moeda no vazio e estou esperando o som que vai dar.