domingo, 28 de março de 2010


Quando vivia no casulo era tão mais feliz
E o meu mundo era mais seguro
O meu mundo fazia sentido
E lá me escondia de tudo

Quando vivia no casulo era tão mais feliz
Mas quando as asas nasceram
Quis me aventurar por aí
E descobri que mesmo com tanta luz
O mundo aqui fora é escuro

Quando vivia no meu casulo era tão feliz
Mas foi no lado de fora que descobri
Pessoas, amor e um pouco de tudo
Foi quando aos poucos esqueci do meu casulo

E hoje que tenho asas descobri
Que feliz mesmo eu era quando morava no meu casulo.

quinta-feira, 25 de março de 2010


Idéias se partem,
projetos nem saem do papel,
olhos pesam,
o corpo cansado,
o coração dói,
o espírito inquieto,
a rotina massacra
e o tempo consome.

Tudo pode, tudo posso, só falta acreditar.
E acreditar é tão difícil!

Fé!



Muitas pessoas para demonstrar sua fé fazem orações rigorosamente no mesmo horário, fazem parte de ceitas, igrejas e afins e por aí vai! Eu não. Tenho a minha fé, sei em quem acreditar e me conecto em qualquer lugar sem precisar de um prédio para isso.
Eu uso minha hora de almoço para recarregar as energias e me esvaziar um pouco do ambiente sufocante onde trabalho. Hoje no mesmo horário de sempre, quando saia para almoçar, senti que o sol estava especialmente quente.
"Bem que podia correr uma brisa!", pensei.
Coincidência ou não, no mesmo instante começou a ventar um vento que me levou até em casa. Imediatamente, sem nenhum apelo religioso, agradeci a Deus por aquela brisa, ato comum no meu dia a dia. Daí, refleti sobre isso, sobre o momento certo de agradecer uma benção, uma graça, uma simples brisa ou simplesmente conversar com Deus. Eis que um pouco adiante, num boteco, quatro homens discutem se Deus e Jeová são as mesma pessoa.
Minha conclusão é de que o homem precisa demais nominar tudo, quando na verdade o mais importante é sentir. Não importa que nome tem, se é candomblé, catolicismo, budismo, evangélico ou messiânico. O importante é a fé que carregamos!
Eu tenho a minha e sinto essa energia na minha vida.

quarta-feira, 24 de março de 2010


A flor que nos faz remomeçar...
Não é a mesma que resta no final.

É impressionante como um momento pode mudar todos os outros que temos pela frente.

segunda-feira, 22 de março de 2010


Uma vontade de correr, gritar, bater, xingar, jogar tudo pro alto e... me jogar no abismo.
Porém, agora estou com os pés na ponta, na borda, na pedra fria.
O vento gelado lambe o meu rosto de baixo para cima como um cão afetuoso.
O suor denuncia que a corrente sanguínea está agitada.
O coração parece estar parado de tão acelerados batimentos.
A respiração profunda e lenta encoraja os olhos cheios de lágrimas
a se lançarem no meio de uma imensidão que de tão negra me deixa cego.
Os pés descalços, encharcados de suor e lágrimas, começam a escorregar.
Uma névoa pesada e grossa me empurra para o destino incerto e um hálito forte
e úmido me faz exitar e resistir.
Já falta o equilíbrio e as pernas tremem.
Não sei o que fazer!
Já me joguei de alturas menores, mas nunca assim, sem saber onde vou cair.
De acordo com a altura , podemos calcular o tamanho da queda,
mas se não podemos ver o fundo nem as paredes...
Sem ter onde me segurar, não posso dizer se sairei ileso.

É este o momento em que me encontro, é aqui que reside a minha angústia.
Não há como voltar atrás e tenho muito medo do que me aguarda lá na frente.
Pedras cobriram o caminho que me trouxe até aqui
e formam a beira deste enorme abismo, onde agora estou de pé, tentando me equilibrar.
É tarefa muito árdua se jogar ao léu, no ar, sem equipamento de segurança.
É difícil não ter alternativa, nem a coragem pra me ajudar.

Acabei de jogar uma moeda no vazio e estou esperando o som que vai dar.

quinta-feira, 18 de março de 2010


Um absurdo! Uma covardia!
Gritos invadiram a sala! Os gritos de torcida organizada se misturaram ao som da Tv,
justamente no meu momento de lazer, após um cansativo dia de trabalho. Exatamente na hora em que o corpo ia relaxar, veio o susto, o sobressalto, o alarme.
Gritos invadiram a sala, a Tv no mudo, as pernas apressadas para a porta, os olhos não queriam mais bisbilhotar os aprisionados do reality show e sim o show de terror da realidade.
A porta se abre e lá fora o desespero, a guerra... Paus, pedras, barras de ferro, palavrões. Correria na rua, correria dentro de casa. O coração batendo forte, um tremor nas veias e a impotência. Mais uma vez a impotência diante de tanta violência. Uma violência gratuita, sem propósito, sem sentido.
Sem sentido pra nós, que ainda tentamos conservar o mínimo dos bons valores aprendidos na infância. Eles, ao contrário, em meio à expressões de ira, pareciam se divertir com toda aquela confusão.
A nuvem ameaçadora se formou e se foi como um ciclone. No chão as marcas do acontecido, para provar que não estava louco! E nas casas, pessoas de bem, que tentam relaxar nas poucas horas da noite que se segue, na esperança de que dentro de algumas horas fiquem bem para estarem de pé e viver as emoções de mais um dia de trabalho, enquanto os baderneiros de hoje possívelmente ainda estarão dormindo.

Bom dia trabalhadores e boa noite baderneiros!

terça-feira, 16 de março de 2010

Inundo o meu imundo mundo


Não invada o meu mundo, se não tiver permissão para isso.
Não jogue o meu jogo, se não me conhece como adversário.
Não leia meus pensamentos, se não me conhece profundamente.
Não me tire do meu habitat, porque posso não resistir.
E se eu resistir, por favor compreenda.
Porque no meu mundo me sinto protegido.
Porque no meu mundo, ainda que não me sinta em paz,
consigo seguir adiante.
Porque no meu mundo, recarrego as energias para visitar o seu.
E se o seu mundo não for o ideal para mim, eu me retiro dele, sem que você perceba.
Esta é a vantagem, em meio a milhares de prejuízos,
de não ser tão importante para o mundo dos outros.
Mas se você decidir, que sou tão importante assim para o seu mundo.
Terás um pedaço do meu como presente.
E o meu coração e o meu viver inundado do mundo de nós dois,
de todos nós
e de nós todos.