segunda-feira, 22 de março de 2010


Uma vontade de correr, gritar, bater, xingar, jogar tudo pro alto e... me jogar no abismo.
Porém, agora estou com os pés na ponta, na borda, na pedra fria.
O vento gelado lambe o meu rosto de baixo para cima como um cão afetuoso.
O suor denuncia que a corrente sanguínea está agitada.
O coração parece estar parado de tão acelerados batimentos.
A respiração profunda e lenta encoraja os olhos cheios de lágrimas
a se lançarem no meio de uma imensidão que de tão negra me deixa cego.
Os pés descalços, encharcados de suor e lágrimas, começam a escorregar.
Uma névoa pesada e grossa me empurra para o destino incerto e um hálito forte
e úmido me faz exitar e resistir.
Já falta o equilíbrio e as pernas tremem.
Não sei o que fazer!
Já me joguei de alturas menores, mas nunca assim, sem saber onde vou cair.
De acordo com a altura , podemos calcular o tamanho da queda,
mas se não podemos ver o fundo nem as paredes...
Sem ter onde me segurar, não posso dizer se sairei ileso.

É este o momento em que me encontro, é aqui que reside a minha angústia.
Não há como voltar atrás e tenho muito medo do que me aguarda lá na frente.
Pedras cobriram o caminho que me trouxe até aqui
e formam a beira deste enorme abismo, onde agora estou de pé, tentando me equilibrar.
É tarefa muito árdua se jogar ao léu, no ar, sem equipamento de segurança.
É difícil não ter alternativa, nem a coragem pra me ajudar.

Acabei de jogar uma moeda no vazio e estou esperando o som que vai dar.

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