quinta-feira, 8 de abril de 2010


Então, nasce uma flor.
A primeira e última delas.
Anos envolto em pétalas,
enquanto todos cortavam os espinhos e espalhavam o polen.

Me dediquei de corpo e alma.
Mergulhei em apnéia.
E na falta de oxigênio, me arrisquei, me desnudei,
mostrei o pior de mim, arranquei minha pele e me deixei tocar
por um grupo de estranhos que me olhavam
do lado de fora do aquário auxíliados por poucos adestradores.
Passei por tudo isso e finalmente quando ganhei guelras,
vejo através do vidro blindado, os visitantes irem embora,
sem ao menos um adeus...

Poluiu-se o meu quadrado de vidro,
a água invadiu-me
e boiei buscando o oxigênio que me faltava.

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