É estranho saber de você.
Saber que mesmo ausente, foi tão presente.
Lembrar dos raros momentos juntos.
Te conhecer a distância, embaixo de sol quente,
correndo atrás de você ou te esperando manhãs e tardes sem fim.
Receber um trocado como forma de pagamento de um carinho que deveria ser gratuito.
Dividir espaço e quase sempre perder a disputa da atenção daquela mulher que amamos.
Seu grande amor, meu grande amor.
A presença dela ao meu lado, para você, imagino eu, deve ser sua maior vitória.
Sua presença ao lado dela, talvez para mim, deva ter sido um momento de derrota.
Conturbada e estranha relação.Parte marcante de uma infância cheia de meandros e mistérios.
Tão distante e tão perto.
Tão destrutivo e tão protetor.
O fato que seja como for, saber da sua existencia e da sua presença, me deixa seguro.
O amadurecimento e o contato adulto com o seu universo, fez contraste com a sua, cada vez mais presente fragilidade. E quem diria, aquele ogro, cheio de maus costumes, rude, grosseiro, se mostrou um homem sensível e apaixonado.
Aquele homem distante que sempre se mostrou protetor no momento de perigo, como um cão de guarda.
Mostrou que me ama... Não escondeu suas fraquezas e me conquistou, lá ao seu modo, mas me conquistou.
Hoje a muralha, parece ruir aos poucos. Cada dia um pouquinho mais.
Pedra por pedra, vou vendo meu protetor perder as forças.
E com ele vou me sentindo um pouco mais vulnerável também.
Meu coração ainda não sente a dor da perda, até porque, ainda não o perdi.
Mas sinto aquele aperto. Daqueles que não afroxam tão rápido.
E mesmo que eu veja, a inevitável destruição da muralha que me protege.
Não me conformo, com o que os olhos me mostram.
Falta sentido na vida. Falta ânimo na caminhada.
Falta um pouco de motivação.
Falta, um pouco do muito que poderíamos ter vivido juntos.
E que falta fez, faz e fará um pai para abraçar.

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